• Aline Guimarães

Automutilação


De acordo com Cedaro e Nascimento (2013), a automutilação é definida como todo e qualquer comportamento consciente de agressão contra o próprio corpo sem intenção suicida. Para Giusti (2013) a automutilação é precedida por um aumento de tensão, raiva de si mesmo, ansiedade, depressão, disforia e sensação de perda do controle. Os fatores ai presentes, como acrescenta Vieira et al (2016), são sensações de abandono (real ou não), culpa e vazio, além de traumas familiares, como a separação dos pais, angustia, tristeza, alegria, insônia, ansiedade, medo, frustração, sensação de culpa, confusão mental, alucinações.

Aliado a isto, a adolescência é um período de transição em que o indivíduo muda do estado infantil para o estado adulto e neste período existem mudanças biológicas: um crescimento físico repentino, uma alteração das proporções corporais e o atingir da maturidade sexual. Logo, Amaral (2007), afirma que a fase da adolescência é recheada por sentimentos de ansiedade e depressão, uma vez que o jovem se vê obrigado a aceitar a sua nova imagem, com um novo corpo, nova voz, alterações de humor, e novos grupos afim de conseguir sua aceitação.

E é nesta fase em que o jovem se vê em pleno desamparo, pois o afastamento familiar se torna mais presente, uma vez que ele precisa se encontrar, dessa forma acaba encontrando maior segurança nos grupos de amizade onde são cultivadas as semelhanças, pois este jovem não é nem criança e nem adulto, por isto também o sentimento de impotência e necessidade de isolamento.

Acredita-se, a partir das pesquisas, que pelo fato de os adolescentes terem como característica a dificuldade da fala, ou seja, em expressar seus sentimentos, a detecção dos sintomas da automutilação se torna mais difícil pelos pais e sistema escolar. Andrioli (2014) contribui dizendo que a adolescência se caracteriza como uma crise psíquica. É o momento em que o adolescente é intimado a responder pelos seus atos. E a partir destes pressupostos ele, entra em crise, pois encontra dificuldade de posicionar-se, frente a estas questões, ou melhor, situar-se em um novo lugar. A adolescência é um momento psíquico, no qual o sujeito busca construir uma nova posição subjetiva.

Embora não haja um consenso sobre os motivos presentes no comportamento de automutilação, ele vem sendo associado a transtornos mentais pois gera relativa tranquilidade psíquica para suportar a confusão mental, representando um grande impacto na vida do indivíduo que se automutila.

Para tanto, Cedaro e Nascimento (2013), afirmam que a automutilação acontece em diversas idades, sendo mais presente na adolescência e mais evidente entre o sexo feminino. Logo, para Giusti (2013), tende a iniciar entre as primeiras idades da adolescência, por volta dos 13 anos, podendo durar por mais 10 ou 15 anos. Passando dessa fase, é possível diagnosticar possível comorbidade, como citado anteriormente.

Geralmente, os jovens se utilizam de mais de um mecanismo para exercer a automutilação, como cortes, mordidas, entre outros, pode ser exercido com intervalos semanais, de horas, dependendo da necessidade da própria pessoa. O que por alguns autores chega a ser considerado um comportamento compulsivo.

Em suma, exercer cuidado sobre esses jovens através da disposição da escuta de seus sentimentos e frustrações diante das mudanças, se torna imprescindível afim de preservar a saúde mental não só dos adolescentes mas dos futuros adultos que virão a se formar. Percebe-se que o determinado tema é uma questão de saúde pública uma vez que vem atingir de forma silenciosa a população.

Aline Pinheiro Macedo Guimarães

Psicóloga

CRP 10/05285

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